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NOTA

Solicita-se aos leitores do manual que será apresentado a seguir que atentem para o fato de que todas as informações ali contidas foram reproduzidas exatamente como no original, publicado, segundo a portaria  No. 070-EME de 26 de Agosto de 1999 e assinado pelo Chefe do Estado-Maior do Exército brasileirona. Manteve-se inclusive a diagramação e a formatação originais.

Nos resguardamos o direito apenas de selecionar alguns pequenos trechos que julgamos ser do  maior interesse do nosso público, tendo em vista  a grande extensão do documento  original, com 199 páginas.

Para quem se interessar, é possível acessar a íntegra do documento . 

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Lutar e vencer todas as batalhas não é glória suprema. A glória suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar".

 

Sun Tzu

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Fig 1-1. Propaganda utilizada pelos norte-americanos em território chinês, durante a 2ª Guerra Mundial. Tradicionalmente, os chineses exibiam, nos portais de suas casas, cartazes coloridos com figuras do panteão chinês. Aproveitando-se desse costume, foram distribuídos cartazes representando aviadores norte-americanos, familiarizando assim os camposenes chineses com as insígnias dos Estados Unidos e pregando a cooperação interaliada.

 CAPÍTULO 1

 

FUNDAMENTOS DAS OPERAÇÕES PSICOLÓGICAS

 

ARTIGO I

INTRODUÇÃO

 

1-1. FINALIDADE

O presente manual destina-se a estabelecer as bases doutrinárias das Operações Psicológicas (Op Psico) e a orientar o seu planejamento e emprego em tempo de paz ou de guerra.

 

1-2. GENERALIDADES

a. A guerra sempre foi o confronto entre vontades. O convencimento obtido por meio da persuasão provou ser mais eficaz do que até mesmo a completa dominação pela força.

b. A experiência adquirida por oficiais brasileiros nos cursos realizados no exterior, nos planejamentos de Exercícios de Grandes Comandos, nas atividades de Comunicação Social, de Inteligência,  permitiu o estabelecimento de bases doutrinárias próprias de Op Psico, adequadas à realidade e coerentes com as características psicossociais e com os valores éticos e morais da Nação brasileira.

c. Independentemente da vontade dos governos e de forma incontrolável, são veiculadas peças de propaganda habilmente editadas, a exemplo de  histórias em quadrinho e páginas na Internet, que, se isoladamente pouco representam, no conjunto orquestrado podem causar efeitos indesejáveis.

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ARTIGO II

PROCESSO E INSTRUMENTOS DA COMUNICAÇÃO

 

 

1-3. INSTRUMENTOS

a. Propaganda - É a difusão de qualquer informação, idéia, doutrina ou apelo especial, visando gerar emoções, provocar atitudes, influenciar opiniões ou dirigir o comportamento de indivíduos ou grupos, a fim de beneficiar, direta ou indiretamente, quem a promoveu.

b. Contrapropaganda - É a propaganda com a finalidade de rebater e neutralizar a propaganda adversa, podendo a ela se antecipar.

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Fig 1-2. Durante a Guerra do Vietnã, em janeiro de 1966, desertores do Exército do Vietnã do Norte lêem um dos 15 milhões de salvo-condutos lançados  por avião pelos norte-americanos.

CAPÍTULO 2

 

INSTRUMENTOS UTILIZADOS NAS OPERAÇÕES PSICOLÓGICAS

 

 

ARTIGO I PROPAGANDA

 

 

2-1. TÉCNICAS USADAS NA PROPAGANDA

 

a. Generalizações brilhantes

(1). Técnica que consiste na utilização de exageros e palavras com alta conotação emotiva, como paz, honra e liberdade, intimamente associadas com idéias de uso comum, sem que haja necessidade de clara definição desses conceitos na mente do público. Essa técnica explora emoções, como o amor ao lar, o sentido de honra, a generosidade, o desejo de liberdade e a ânsia de felicidade, ou imagens culturais e históricas que despertem generalizadas afeições populares.

(2). As generalizações brilhantes são deliberadamente sem sentido, a fim de que o público-alvo lhes dê sua própria interpretação. A intenção é emocionar o público-alvo com frases indefinidas, sem explicações ou pormenores. As frases e palavras usadas devem ser vagas e ambíguas, de modo a poderem sugerir diferentes idéias a diferentes pessoas. As expressões generalizantes oferecem respostas superficiais a complicados problemas sociais, políticos ou econômi- cos

b. Simplificação

(1). Usa-se para transformar temas complexos em temas simples e fáceis de entender, oferecendo uma interpretação simplificada dos fatos, das idéias e das personalidades.

(2). Há indivíduos que são demasiadamente preguiçosos ou indiferentes para analisar, por si mesmos, os problemas. Aceitam, por conseguinte, substitu- tos que lhes pareçam convincentes.

c. Quadro familiar

(1). Trata-se da utilização de cenas ou expressões que evoquem no público-alvo as lembranças familiares. A naturalidade das situações criadas é fator importante, devendo ser explorados hábitos regionais.

(2). As palavras familiares e comuns, tais como lar, filhos e família, produzem reação emocional favorável naqueles que as ouvem ou lêem, motivando uma onda de simpatia em favor da mensagem e despertando sentimentos nostálgicos. Esses sentimentos podem criar, na população civil, o desejo de que a guerra termine e que se retorne à vida pacífica. Podem ainda minar o moral dos soldados na guerra, exaltando os prazeres de que foram afastados, particularmente o convívio familiar (Fig 2-1).

d. Ampliação e desfiguração dos fatos

(1). Um dos fundamentos da propaganda é a capacidade de tirar o máximo proveito dos fatos favoráveis, ampliando-os e até mesmo sublimando-os, quando for o caso e, por outro lado, reduzir ou desfigurar os efeitos dos fatos desfavoráveis.

(2). O simples aumento das dimensões dos títulos de certos artigos de jornais é uma aplicação dessa técnica.

(3). Inversão de atitude - Técnica empenhada em ganhar a confiança e a credibilidade, quando a propaganda insere argumentos geralmente julgados embaraçosos para o propagandista. Desse modo, a propaganda deve emprestar um ar de imparcialidade ao propagandista e a seu material, induzindo o público-alvo a aceitá-los.

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Fig 2-1. Propaganda nostálgica durante a 2ª Guerra Mundial. O panfleto alemão acima estimula as saudades de casa, ao mostrar uma cena cotidiana: o marido travando o despertador, enquanto a esposa acorda. A mensagem impressa no verso observa que o soldado aliado tem poucas chances de voltar para casa.